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Produção e Consumo Sustentáveis

Alguns temas recorrentes no Brasil não são tratados pela maioria da população e esta, por falta de informações, termina por aderir àquilo que mais desperta sua atenção, especialmente ao que é colocado por movimentos sensacionalistas. São temas como política, trabalho, liberdade e, ainda, a questão ambiental. Isto é preocupante porque, via de regra, se estabelece um modismo difícil de ser interrompido e com consequências danosas para a própria sociedade.

Quando se trata de meio ambiente, logo vem à mente das pessoas a questão do desmatamento para a produção de alimentos. Poucos são aqueles que incluem problemas como falta de esgoto, queima excessiva de combustíveis fósseis e, muito menos ainda, aqueles que se preocupam com o exagerado consumo e com a onda gigante de consumismo criada por campanhas publicitárias que contaminam as melhores práticas do consumo responsável.

Ora, se uma das preocupações da população é o desmatamento para a produção de alimentos, todos aqueles que demonizam a produção agropecuária estão com suas artilharias voltadas para um alvo inadequado. O grande vilão do meio ambiente não é a produção, mas o consumismo que deve ser combatido com uma necessária mudança de padrão de consumo, onde é fundamental o envolvimento do comércio e da indústria.

Com relação à produção de alimentos, estudos do Dr. Norman Borlaug, falecido recentemente, levaram às nações a chamada Revolução Verde. Isto fez do Dr. Norman um ganhador do prêmio Nobel da Paz, por contrapor as teorias econômicas Malthusiana e Neomalthusiana em função da elevação dos índices de produtividades das culturas agrícolas pela melhoria da qualidade das sementes e da aplicação de fertilizantes e defensivos agrícolas.

Desta forma, nos dias atuais, se todos os habitantes planetários conseguissem acesso à renda, à agricultura e à pecuária, teriam plenas condições do atendimento às demandas. Podemos afirmar que quem passa fome é porque não tem renda, não é por falta de oferta de produtos alimentícios. Mas a Revolução Verde é questionada por instituições ambientalistas, em função de que no seu pacote tecnológico se verifica a presença de produtos poluidores.

Por outro lado, estudos científicos apontam que sem o uso de defensivos agrícolas as colheitas globais seriam reduzidas entre 30 a 40% com probabilidade de aumento deste percentual caso o IPCC tenha razão quanto as mudanças climáticas. Desta forma a sociedade precisa ter consciência de que é necessário reduzir esta onda consumista. Claro, não só de alimentos, mas de todas as formas de bens e serviços. Caso contrário, não existirão meios para evitar a agregação de novas áreas ao processo produtivo, especialmente de alimentos.

Esta é uma verdade inexorável! Não resolveremos os problemas ambientais se não refutarmos as influências do padrão de consumo dos norte-americanos e se não estabelecermos um rígido planejamento familiar e, no caso da produção de alimentos, se não experimentarmos uma nova Revolução Verde. Anualmente a terra recebe um contingente de 85 milhões de habitantes, isto significa dizer que nascem quase 3 bebês por segundo, e ainda estamos vendo o aumento da expectativa de vida das populações, isto agrava a relação consumo e meio ambiente.

No Brasil o desperdício de alimentos é outro componente desastroso ao meio ambiente. Anualmente é jogado literalmente no lixo o equivalente a R$ 12 bilhões em comida. Com esta montanha de dinheiro daria para alimentar 30 milhões de pessoas, publicou recentemente o Jornal dos Resíduos. Esta perda se dá desde a colheita dos alimentos até a sua cozinha.

Com tudo isto podemos então afirmar que estão equivocados os governos com suas campanhas em prol do meio ambiente tão somente com instrumentos de comando e controle sobre a produção. De fato precisam acordar e promover educação ambiental urbana e, se verdadeiramente desejam um mundo sustentável, que desenvolvam campanhas publicitárias de combate ao consumismo.