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Nós aqui e Copenhague lá

Rola em Copenhague, na Dinamarca, a Cop15, a Conferência Mundial do Meio Ambiente. É um evento importante que trata do meio ambiente, mas na realidade se resume em dois temas essenciais: a manutenção do planeta e, como pano de fundo, as poderosas contradições dos sistemas econômicos mundiais. Contudo, tirando o sensacionalismo que envolve a Cop15, é muito possível que as discussões da conferência abram perspectivas para um novo modelo de cooperação humana no planeta.

Pode parecer um pouco filosófico, mas o fato é que, somando-se os desgastes do planeta que sustentou até aqui toda a evolução humana, e o seu progresso econômico pelo uso dos recursos naturais e pelos lixos produzidos, mais o nível de exploração futuro, não lhe será mais possível sobreviver. Não é o apocalipse que está em discussão. O que realmente conta, é uma tomada de consciência entre nações para se verificar daí para o futuro, em que condições se encontra o planeta.

Milenarmente, a Terra sempre se modificou. Gostaria até de recordar os dois primeiros filmes "A Era do Gelo". No primeiro, viu-se os movimentos terrestres à época dos dinossauros, com seus vulcões, terremotos, maremotos e grandes incêndios. No lugar veio o gelo e, também, o seu fim, com novas flora e fauna. Agora viria um novo ciclo semelhante àqueles. O planeta é vivo, funciona e se movimenta dentro de uma harmonia cósmica.

Neste momento, além das próprias contradições próprias, a Terra sofre também influências cósmicas ligadas a outros movimentos, de origem planetária. A ciência sabe, porque já dispõe de meios para acompanhar tudo isso. O que resta então para a Cop15? Imagino que resta criar as bases de discussões para questões como desigualdades econômicas entre países, redução e controle de emissões de gases, combate e controle da poluição, cuidados com a água, cuidados com o lixo, cuidados com as formas de consumo da população e, especialmente, abrir parâmetros para um novo estilo de vida.

O desperdício mundial é apavorante. Nada se produz se, de um modo ou de outro, não usar recursos naturais: energia elétrica, minérios, água, combustíveis, máquinas, equipamentos, etc.etc. Tudo isso gera lixo, gera poluição e gera desgaste ao planeta. Quando se soma a própria evolução da Terra neste período atual, com os desgastes provocados pelo progresso econômico humano, resulta numa equação de risco à sobrevivência de todas as espécies que nele vivem.

A Cop15 não vai salvar e nem vai condenar o mundo. Há mais gente bem intencionada e consciente nesta do que nas conferências anteriores. A sociedade mundial está mais amadurecida para a sua sobrevivência e para a sobrevivência do planeta. Na próxima terça-feira trarei aqui estudos sobre consumo. Ali se pode ver o quanto o mundo usa e abusa do planeta Terra!