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A importância da conservação das áreas úmidas urbanas: enfoque no bem-estar da população

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A importância da conservação das áreas úmidas urbanas: enfoque no bem-estar da população Foto: Google Imagens

As áreas úmidas são ambientes que possuem características ecológicas diferenciadas e que exercem importantes serviços ambientais relacionados ao bem-estar humano e redução da pobreza. Diante da relevância ecológica das áreas úmidas, muitos são os esforços no cenário internacional para promover a conservação destes ambientes. Em especial, a Convenção Ramsar vem desenvolvendo estratégias para o uso racional e manutenção das características ecológicas de todos os tipos de áreas úmidas.
Estas estratégias partem do entendimento de que geradores de mudanças ecológicas indiretos (demográficos, econômicos, sociopolítico, Ciências e tecnologia, culturais e religiosos) e diretos (mudanças no uso da terra, remoção de espécies e/ou introdução de invasoras, eutrofização, contaminação, infraestruturas hídricas, extração de água e mudanças climáticas) influenciam os serviços ambientais prestados pelas áreas úmidas. 
Neste sentido, o uso racional das áreas úmidas representa a manutenção das características ecológicas, mediante a implementação de enfoques por ecossistemas, dentro de um contexto de desenvolvimento sustentável. Ou seja, o desenvolvimento de atividades nas áreas úmidas deve se realizar de forma sustentável, mediante a aplicação das orientações propostas pela Convenção Ramsar para o uso destes ambientes.

Sabe-se também que o bem-estar humano está intimamente ligado com a “saúde” das áreas úmidas uma vez que estes ambientes exercem serviços ecológicos essenciais sobre a disponibilidade de água para o abastecimento e sobre as mudanças climáticas, além de serem o meio de subsistência para um grande número de pessoas. Ainda, as áreas úmidas exercem importantes benefícios para a saúde das pessoas e são locais de recreação, ecoturismo e experiências espirituais e culturais e de contemplação de suas belezas naturais.

Com relação a saúde humana, a pressão contínua sofrida pelas áreas úmidas é responsável pela transmissão de doenças através da contaminação da água, além de diminuir a oferta de água de qualidade apropriada para o consumo humano, produção de alimento e para o saneamento.

Estes avanços do conhecimento multidisciplinar, juntamente à compreensão dos custos e benefícios das alterações sobre as áreas úmidas representam importantes ferramentas para subsidiar tomadas de decisões sobre ocupações e uso. É notório que estas decisões devem sempre dar prioridade a proteção das áreas úmidas naturais, sobre tudo que assegurem a sustentabilidade dos serviços ecossistêmicos, assumindo que os sistemas de áreas úmidas artificiais também contribuem para a conservação da água e segurança alimentar.

As áreas úmidas urbanas, em especial, são responsáveis por prestar importantes serviços ecológicos para as pessoas, em especial serviços relacionados com a purificação e disponibilidade de água para o abastecimento, além de representarem áreas verdes fundamentais nas cidades.

Estas áreas úmidas inseridas no perímetro urbano e peri-urbano possuem a capacidade de contribuir fortemente com a saúde e bem-estar físico e mental dos habitantes da cidade, desde que se implante as formas de uso racional destas áreas. Estes ambientes também são habitats para plantas e animais, podem amenizar desastres naturais, como as enchentes, regular o microclima local e proteger as margens dos rios contra a erosão.

 

Figura 1.  Exemplos de áreas úmidas projetadas para a recreação da população de zonas urbanas.

 

No entanto, observa-se aumento acelerado da degradação das áreas úmidas por processos de urbanização sem planejamentos que contemple a manutenção das características ecológicas destes ambientes. Esta degradação das áreas úmidas urbanas vem ocorrendo em uma velocidade acentuada, visto a outros tipos de ambientes.

A expanção urbana sem planejamentos estratégicos para a conservação de recursos naturais vem gerando potenciais impactos às áreas úmidas. Estes impactos estão relacionados a perda direta de habitats, alteração de regimes hídricos, poluição gerada pelo lixo, esgoto, óleos, produtos químicos, pesticidas e toxinas no ar, introdução de espécies exóticas, entre outras modificações no ecossistema.

Para tanto, a Resolução Ramsar X.27 impôs que as partes contratantes examinem o estado de conservação/degradação das áreas úmidas urbanas e estabelecem planos para sua restauração de modo a manter os serviços ecológicos para os seres humanos e a biodiversidade. Alguns países signatários da convenção Ramsar, como a Austrália e EUA já adotaram os princípios acordados para o planejamento e manejo das áreas úmidas urbanas.

Tais princípios estão relacionados com o uso racional das áreas úmidas, avaliando os impactos atuais e futuros, envolvendo e educando a comunidade e realizando o planejamento integrado das ações sobre estes ambientes nas zonas urbanas e peri-urbanas.

Agora cabe ao Brasil implantar, em diferentes escalas, planejamentos estratégicos para o uso sábio de sua grande riqueza e diversidade de áreas úmidas urbanas e rurais, afim de garantir qualidade de vida para toda a população.