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Restauração florestal: O tiro certo nas ações de reflorestamento

Um trabalho exemplar de restauração florestal vem sendo realizado pela equipe de trabalho do agropecuarista Luiz Carlos Nunes Castelo, da Fazenda Bang Bang, em São José do Xingu-MT (1.000 quilômetros a Nordeste de Cuiabá).





Conforme explica Castelo, quando comprou a propriedade em 1993 constatou que parte significativa das Áreas de Preservação Permanente (APPs) estava degradada.





A partir de então foram várias tentativas de reflorestamento desenvolvidas na propriedade, mas o que mais soou forte para a Fazenda Bang Bang foi o de compreender a importância de uma boa assistência técnica.





Por vários anos, a propriedade só vinha somando tentativas mal sucedidas e orientações errôneas. Se por um lado, com esses insucessos, a fazenda obteve acúmulo de experiências e aprimoramento na qualificação de seus funcionários, por outro, até acertar a ‘mão’, perdeu muito tempo e dinheiro.





Primeiro a Bang Bang tentou o reflorestamento com mudas de pequi e taboca, mas como não houve manejo sistemático, o resultado não foi bom. Na segunda tentativa optou por um trabalho de plantio de manguba e uso de pó-de-serra para produção de mudas.





Até que finalmente em 2006 a fazenda ingressa no projeto Recuperação de Nascentes e Matas Ciliares do Xingu – Um exemplo de Consertação Intersetorial, em ação promovida pela campanha ‘Y Ikatu Xingu’.





A coleta de sementes de plantas nativas é a principal meta, este ano, da campanha Y Ikatu Xingu. Expressão que significa "água limpa e boa" na língua Kamaiurá, pertencente ao tronco Tupi. A campanha objetiva recuperar nascentes e matas ciliares (as que margeiam os cursos d’água) do Rio Xingu no Mato Grosso.





Qualificação do Senar – Outra decisão de fundamental importância para a propriedade foi ter procurado o apoio do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/AR-MT) órgão do Sistema Famato. Dos mais de três mil cursos que o Senar/AR-MT desenvolve anualmente no Estado de Mato Grosso a entidade realizou na Fazenda Bang Bang 17 cursos de qualificação a funcionários e para a comunidade.



Recentemente na propriedade também foi inaugurado um Centro de Desenvolvimento Humano onde outros cursos deverão ser ministrados, além da instalação de uma escola com biblioteca, acesso à internet e equipamentos multimídia.



A propriedade atualmente é um verdadeiro campo experimental de reflorestamento com importantes resultados obtidos nessa proposta de recuperar áreas de matas ciliares e de reflorestamento. No local foi instalado um viveiro de mudas e cuja principal meta para este ano é conseguir fornecer 65 mil mudas de árvores nativas, cujo preço é de R$ 1 por planta, pago aos trabalhadores que mantém o viveiro ativo na fazenda com 46 espécies nativas.





Plantio de Mudas - Até agora a fazenda contabiliza o plantio de 70 mil mudas de espécies nativas e 1,5 tonelada de sementes em quase 104 hectares beirando matas ciliares e mananciais. O objetivo final até 2014 é reflorestar a totalidade das matas ciliares das 49 nascentes e todos os 342,5 hectares de Áreas de Preservação Permanente (APPs).





Outra iniciativa da fazenda foi partir para a produção de sementes de buriti que estão sendo utilizadas para plantio direto em áreas alagadas. O plantio direto de sementes em sistema agroflorestal (SAF) vem sendo utilizado em outros projetos ‘Y Ikatu Xingu’ em assentamentos de reforma agrária como alternativa de fator econômico em glebas sob recuperação florestal e também o plantio direto mecanizado de restauração florestal com as culturas do feijão guandu e o feijão-de-porco.





Carne Ecológica- Castelo segue investindo no manejo ambiental em sua fazenda e junto com outros produtores da região quer se transformar numa referência no mercado nacional da produção de carne aplicando práticas socioambientais. A Bang Bang possui rebanho atual de 10 mil bovinos de corte (Zebú com Rubia Gallega) produzidos a pasto numa área de 13,4 mil hectares, com média de abate de 3,5 mil animais/ano.



O produtor espera obter certificação de boas práticas socioambientais em um ano não por agregar várias vantagens mercadológicas pelo cumprimento de exigências ambientais, sanitárias e trabalhistas, e que poderão significar um bônus no preço final da carne de até 10%.



Ele explica que o grupo está atento às novas tendências do comércio de produtos agropecuários corretamente saudáveis e com o máximo de transparência em relação às responsabilidades socioambientais. Outro projeto que o grupo participa é o Tecendo Redes Sustentáveis (Tear) - promovido pelo Grupo Pão de Açúcar e Instituto Ethos que conferirão um selo de qualidade chamado “Melhor Natureza” às ações de responsabilidade socioambiental.





“Acreditamos que tal prática abrirá caminhos importantes para atendermos num futuro próximo, demandas em segmentos entre os mais qualificados e exigentes quanto à segurança e procedência alimentar”.



Segundo Castelo, apontam algumas estatísticas que cerca de 3% dos nossos consumidores internos já estão preferindo produtos diferenciados e que se dispõem a pagar um pouco mais por eles.





Famato na Ação Verde - Felizmente se prolifera cada vez em Mato Grosso, exemplos de fazendas como a Bang Bang com essa preocupação socioambiental. E justamente por estar antenada aos acontecimentos e tendências do setor produtivo que a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso – Famato, tem rompido paradigmas e fronteiras do que limita o setor.





Por isso, o Sistema Famato tem buscado junto com outras entidades novos caminhos para a sustentabilidade, aliando produção versos consciência ecológica e ambiental e abraçou a causa para a implantação do Instituto Ação Verde, que é uma iniciativa do setor privado que conta com a participação das entidades: Famato, Fiemt, Aprosoja, Acrimat, Ampa, Sindalcool, Sincremat e Cipem.





Atualmente o Instituto Ação Verde desenvolve os projetos: “Verde Rio” para a recuperação e preservação de 100% das matas ciliares dos principais rios de Mato Grosso até 2020. Em sua primeira etapa, serão recuperados mais de dois mil hectares de área degrada em torno do Rio Cuiabá, principal fonte de água doce de duas das principais cidades do Estado. Mais sete municípios serão beneficiados pelo projeto: Várzea Grande, Rosário Oeste, Barão de Melgaço, Acorizal, Jangada, Nobres e Santo Antonio do Leverger. No final de julho, começou a segunda etapa com a abertura do cadastramento das propriedades localizadas nestes municípios.



E o projeto "Conscientização Empresarial" que visa analisar e avaliar de que forma a inserção do empresariado, enquanto centro de referência em produtividade, pode contribuir para resultados visíveis e mais abrangentes no que diz respeito ao Desenvolvimento Sustentável com ações que antecedem a criação de um Sistema de Certificação de Propriedades, no intuito de ampliar o trabalho de engajamento do setor produtivo em educação e regularização ambiental.



Fonte: Famato